Bem-vindo ao SIMPOANTAR e à Paleontologia brasileira na Antártica!

O Simpósio Brasileiro de Paleontologia Antártica (SIMPOANTAR) visa difundir e integrar os esforços de pesquisa realizados no Brasil sobre a evolução das biotas e dos ambientes do continente antártico e suas conexões com a América do Sul e o Atlântico Sul. Além disso, pretende promover oportunidades de intercâmbio de ideias e experiências de seus participantes para com pesquisadores e exploradores antárticos do Brasil e do exterior atuantes na Paleontologia ou em áreas afins.

Início da pesquisa paleontológica brasileira na Antártica

O primeiro registro de um fóssil coletado por um brasileiro na Antártica trata-se de um tronco identificado apenas como "coniferales" e proveniente da região da Baía Esperança, na Península Antártica (onde desde 1952 localiza-se uma grande estação argentina, a Base Esperanza). O coletor foi o bioquímico mineiro Aristides Pinto Coelho (1930-2007), fundador e ex-presidente do extinto Instituto Brasileiro de Estudos Antárticos, professor da UERJ e grande incentivador da pesquisa antártica brasileira. Coelho recolheu o fóssil durante a etapa de retorno de uma expedição do Programa Antártico dos Estados Unidos realizada no verão de 1972-1973, da qual participou a convite e acompanhando o trabalho do paleontólogo norte-americano Jere Henry Lipps no estudo da biologia de foraminíferos bentônicos. Desenvolvendo seus trabalhos a bordo do pequeno navio de pesquisa RV Hero, quando de seu retorno e passagem pela Baía Esperança Aristides Coelho estava a bordo de outra embarcação, o navio cruzeiro MV Explorer. Não sendo a paleontologia a área de investigação de Aristides Coelho, o fóssil foi coletado sem maiores detalhes estratigráficos e foi apenas mencionado em artigo de sua autoria publicado no periódico Antarctic Journal of the United States, trabalho este que é reconhecido como a primeira publicação científica de um brasileiro acerca de pesquisa de campo realizada na Antártica. Mesmo posteriormente o fóssil não foi estudado em detalhe e nem foi depositado em coleção científica nacional. O tronco, muito provavelmente de idade jurássica dada a geologia do local de proveniência e da paleoflora ali registrada, foi oferecido como presente ao ex-presidente João Baptista de Oliveira Figueiredo por ocasião da recepção presidencial de uma delegação do Instituto Brasileiro de Estudos Antárticos no Palácio do Planalto no dia 05 de junho de 1984. O espécime é, portanto, tido como perdido.

O primeiro movimento que abriu caminho para a coleta e estudo sistemático de fósseis antárticos por pesquisadores brasileiros inicia-se em 1981 na Universidade Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), em São Leopoldo-RS. Professores daquela universidade firmaram uma colaboração com o Instituto Antártico Chileno (INACH), criando o então chamado "Projeto Antártica" da UNISINOS, que realizou seu primeiro trabalho de campo entre 19 de fevereiro e 24 de março de 1982. Convidados pelo INACH para executarem estudos geológicos, biológicos e de logística em várias localidades do Arquipélago das Shetland do Sul (Fig. 1a), os pesquisadores da UNISINOS inicialmente se dedicaram a um intensivo aprendizado logístico e a um reconhecimento da geologia e biota da Península Fildes da Ilha Rei George (Fig. 1b), uma ampla área livre de gelo, com rochas acessíveis e onde localiza-se, desde 1969, uma grande estação chilena (Base Presidente Eduardo Frei Montalva). Este reconhecimento foi aprofundado no verão seguinte, também sob convite institucional chileno.

 










Figura 1 - Arquipélago Shetland do Sul, Antártica, primeiramente avistado em 19 de fevereiro de 1819, com o primeiro desembarque ocorrido na Ilha Rei George (em vermelho no mapa) em 16 de outubro daquele ano, ambos feitos pelo navegador mercante britânico William Smith (1790-1847?), o que faz desta a primeira terra firme antártica a ser avistada e visitada na história. Em destaque, no mapa em P&B, a Ilha Rei George, maior ilha do arquipélago, com uma área de 1260 km², sendo 98 km² livres de gelo. O primeiro levantamento científico da Ilha Rei George foi feito pelo naturalista e artista norte-americano James Eights, participante da 1ª Expedição Antártica Americana (expedição privada com objetivos de caça comandada por Benjamin Pendleton e Nathaniel Palmer a bordo dos navios Annawan e Seraph de 1829-1831). Eights avista, embebido em um conglomerado, aquele que é reconhecido como o primeiro fóssil descoberto na Antártica, descrevendo, em publicação de 1833, um fragmento de madeira carbonizada com cerca de 2,5 m de comprimento e 10 cm de diâmetro, mas que infelizmente não foi coletado nem teve sua localidade precisa registrada. Atualmente a Ilha Rei George abriga um aeródromo, oito estações de pesquisa de funcionamento permanente e cinco de funcionamento sazonal, pertencentes a 12 países diferentes, além de diversos refúgios e acampamentos temporários, o que a torna a maior concentração de instalações humanas na Antártica, sendo também um destino usual do turismo antártico. Créditos: a) "Apcbg", King-George-Island-location-map, CC BY-SA 3.0; b) Retirado de Dutra & Batten (2000).

O "Projeto Antártica" da UNISINOS foi coordenado pelos geólogos Henrique Carlos Fensterseifer e Marco Antônio Fontoura Hansen e pelo biólogo Martin Sander, com a participação dos então graduandos em geologia Aimara Linn e Fábio Luiz Troian, dos então graduandos em biologia Maria Virginia Petry (ainda ativa pesquisadora antártica, professora na UNISINOS), Milton Norberto Strieder e Viviane Lopes Bastos, da geóloga Tânia Dutra, dos também geólogos Enio Soliani Junior (UFRGS) e seu então orientando Giles Carriconde Azevedo e da bióloga Jane Pereyron Mocelin (brasileira atuante no Canadá). A primeira equipe de campo foi composta por Fensterseifer, Hansen, Sander e Linn, com a orientação do geólogo chileno Prof. Dr. Oscar Gonzalez-Ferran, do biólogo e geólogo alemão Gotthilf Hempel, e outros geólogos do Chile, URSS e Polônia presentes nas respectivas estações na Ilha Rei George. As atividades em geologia foram dedicadas ao mapeamento básico, geologia estrutural, geocronologia, geologia econômica, mineralogia e paleontologia. Apesar da natureza essencialmente vulcânica da Península Fildes e a maior parte das Shetland do Sul, o projeto percorreu áreas muito ricas em plantas fósseis preservadas em sedimentos intercalados nos derrames de lava, de idade paleógena. Assim, a paleontologia, principalmente a paleobotânica, passou a ter relevância cada vez maior no projeto.

Aquelas primeiras experiências proporcionaram uma expertise à equipe da UNISINOS que atraiu a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), órgão colegiado gestor do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), a convidá-los para compor o grupo de pesquisadores a colaborar com as pesquisas científicas a serem desenvolvidas pelo Programa. Na ocasião, o geólogo e paleontólogo Dr. Antônio Carlos Rocha-Campos (USP; 1937-2019) era o relator do sub-programa de Ciências Exatas e da Terra do PROANTAR (1983 a 1984), e coordenador geral do Grupo de Gerenciamento de Projetos do programa (1984 a 1990).

O PROANTAR, criado em 1982, passa a contar assim com o projeto "Geologia e Paleontologia da Ilha Rei George e da Ilha Nelson (Arquipélago das Shetland do Sul)", coordenado pelo prof. Henrique Carlos Fensterseifer e com
Tânia Dutra como paleontóloga. Destes pioneiros, a Dra. Tânia Dutra é a única a ainda estar ativa na pesquisa antártica, sendo uma referência internacional no estudo das plantas fósseis do Cretáceo e Paleógeno do continente. Em campo, a Dra. Tânia Dutra esteve em seis expedições, que coordenou nos verões dos anos de 1983, 1984, 1987, 1989, 1994 e 2007, sempre pelo Programa Antártico Brasileiro. Atualmente professora aposentada da UNISINOS, segue em suas pesquisas também como colaboradora do INACH e como integrante do projeto FLORANTAR. Este projeto de pesquisa, em vigência desde 2018 pelo CNPq/Programa Antártico Brasileiro, é uma continuidade direta de seus projetos anteriores no PROANTAR e é atualmente coordenado pelo Dr. Marcelo de Araújo Carvalho (Museu Nacional/UFRJ).

A primeira expedição oficial do Programa Antártico Brasileiro, a Operação Antártica I (OPERANTAR I), foi lançada em 20 de dezembro de 1982 após ligeira preparação do recém-adquirido Navio de Apoio Oceanográfico Barão de Teffé, incorporado à Marinha do Brasil em 28 de setembro de 1982. A expedição contou ainda com a participação do Navio Oceanográfico Professor Wladimir Besnard, do Instituto Oceanográfico da USP. Organizada em duas etapas e finalizada em 28 de fevereiro de 1983, a OPERANTAR I dedicou-se principalmente à diplomacia, hidrografia e reconhecimento e delimitação da área onde seria erguida uma base brasileira permanente, a Estação Antártica Comandante Ferraz, bem como a observações meteorológicas a bordo do Barão de Teffé e coletas em biologia marinha a bordo do Prof. Besnard.

Do projeto Antártica da UNISINOS, apenas a bióloga Jane Pereyron Mocelin esteve presente nesta operação, a bordo do NApOc Barão de Teffé. As geociências foram representadas na OPERANTAR I por dois geólogos do DNPM, Jorge de Jesus Cunha Palma (precursor da Geologia Marinha no Brasil, falecido em 2020) e Armando da Silva Neiva (aposentado-ANM), ambos embarcados no Barão de Teffé, e outros dois a bordo do N/Oc Prof. W. Bernard, os geólogos marinhos drs. Moysés Gonzales Tessler e Valdenir Veronese Furtado (aposentados-USP). Dados os objetivos da OPERANTAR I, não foram realizadas intensas pesquisa em terra, e apenas um reconhecimento geológico preliminar foi feito na área escolhida para a instalação da Estação Ferraz: a área da antiga "
Base G" do Reino Unido, na Península Keller, na Baía do Almirantado, localizada na mesma Ilha Rei George, a cerca de 30 km lineares da anteriormente citada Península Fildes, e a poucos km da Estação Antártica Henryk Arctowski, da Polônia (esta instalada em 1977).

Não há registros de coleta ou avistamento de fósseis em qualquer das etapas e localidades visitadas pela OPERANTAR I. Mas é seguro de que lá estavam, tanto na Península Fildes quanto na localidade onde viria a ser instalada a Estação Ferraz, na Península Keller. Existem diversos afloramentos fossilíferos ao redor da Baía do Almirantado da Ilha Rei George (ver Fig. 1b), com o primeiro registro de fósseis na área feito em dezembro de 1948 pelo geólogo inglês G. Hattersley-Smith (que assumiu o comando da Base G após a prematura morte de seu antecessor, o também geólogo Eric Platt, o qual se encontra sepultado ao lado da Estação Ferraz, na base de uma elevação denominada Morro da Cruz). Novamente tratando-se de lenhos, estes primeiros fósseis reportados para a Baía do Almirantado foram coletados em uma área denominada Pontal Hannequin, próxima à Península Keller e onde, desde 1988, encontra-se o Refúgio República del Ecuador, daquele país. Durante a instalação e ampliação da Estação Ferraz, e nos anos seguintes, lenhos fósseis foram encontrados na Península Keller, ainda que folhas tenham sido resgatadas apenas bem depois, em fevereiro de 2007 ao final na OPERANTAR XV, pelo paleontólogo Helder de Paula Silva (Museu Nacional). 

A Estação Antártica Comandante Ferraz foi inaugurada na OPERANTAR II, em 06 de fevereiro de 1984, após onze dias de trabalhos de desembarque de montagem dos oito módulos que inicialmente a formavam, e acrescida de mais 28 módulos no ano seguinte, em preparação para torná-la uma estação de ocupação permanente. Assim, na OPERANTAR II (1984) e OPERANTAR III (verão 1984/1985), os trabalhos de campo em geologia e paleontologia foram realizados a partir das estações parceiras (Arctowski, na Baía do Almirantado, ou Frei, na Península Fildes), ou a partir de acampamentos lançados pelo NApOc Barão de Teffé. 

Nas segunda e terceira expedições do PROANTAR uma
quantidade significativa de fósseis foi finalmente coletada e resgatada por brasileiros na Antártica. Nas áreas livres de gelo ao redor da Baía do Almirantado, na Ilha Rei George, os geólogos Tânia Dutra, Henrique Fensterseifer, Marco Antônio Fontoura Hansen, Fábio Luis Troian e Enio Soliani Jr. realizam explorações em afloramentos cretácicos e terciários previamente estudados por poloneses, argentinos, chilenos e ingleses, e avançam com a descoberta de uma nova localidade fossilífera (Baía Stascek, Pontal Block, Eoceno Inicial), da qual Tânia Dutra resgata 37 amostras de plantas, com predomínio de Nothofagus e cavalinhas, e uma peculiar ausência de coníferas e samambaias. Já na Península Fildes, o projeto da UNISINOS passa a contar com novos colaboradores da Universidade de São Paulo. O geólogo Joel Barbujiani Sígolo e a então graduanda em geologia Cássia Solange Lyra (atualmente na iniciativa privada), orientanda do saudoso paleobotânico Oscar Rösler (1938-2018), vão a campo na OPERANTAR II e resgatam cerca de 150 folhas fósseis e amostras para análise palinológica nas localidades Fossil Hill, Leaves Hill e Pontal Suffield, parte deste material sendo uma doação de coletores chilenos. Na OPERANTAR III (1984/1985), Tânia Dutra e equipe seguiram explorando áreas da Baía do Almirantado próximas à Estação Arctowski (Monte Zamek, Pontal Thomas, Paradise Cove, entre outras), enquanto na Península Fildes o professor Oscar Rösler (este em sua primeira expedição), Henrique Fensterseifer e Joel Barbujiani Sígolo dão continuidade às prospecções com apoio da Base Frei, explorando a ainda pouco conhecida costa oeste da Península, às margens do Estreito de Drake. Um sub-projeto do prof. Oscar Rösler buscou ampliar bastante a área de prospecção, visando alcançar os depósito fossilíferos jurássicos da mais longínqua Ilha Adelaide. Infelizmente este nunca foi realizado, por limitações logísticas.

A partir da OPERANTAR IV (1985/1986) a Estação Ferraz tornou-se uma estação de ocupação permanente, com a primeira invernada da equipe de militares que a guarnece (o grupo-base), e passou a ser plenamente operacional para receber todos os pesquisadores brasileiros que passam pela Antártica. Desde então os trabalhos de prospecção por fósseis na Península Keller e cercanias (Precious Peak e Ponta Hannequin) foram intensificados pela equipe da profa. Tânia Dutra. Um dos achados mais interessantes feitos a partir daí foi um exemplar fértil de samambaia arborescente do gênero Dicksonia na localidade Monte Wavel, na Ponta Hannequin (Fig. 2). No extremo sul da Ilha Rei George, no início desta mesma operação, o professor Fensterseifer e equipe instalam, com suas próprias mãos, um modesto refúgio construído com materiais doados por empresas brasileiras na Baía Wal, proporcionando um melhor abrigo aos pesquisadores que exploram a costa da Península Fildes voltada para o Estreito de Drake. O refúgio foi inaugurado em dezembro de 1985 batizado em homenagem ao polímata sacerdote gaúcho Balduíno Rambo (criador do Museu Rio-grandense de Ciências Naturais, fundador da revista Iheringia, militante da criação do Parque Nacional de Aparados da Serra, dentre outras obras). A partir do Refúgio Rambo, a exploração na região se ampliou e afloramentos representativos do Cretáceo Superior ricos em floras foram identificados em localidades batizadas pelos brasileiros, como a Baia Skua e o Pontal Price. O grupo de geólogos e paleontólogos da USP ligados ao projeto da UNISINOS fora acrescido nas OPERANTAR IV e V (1986/1987) por José Henrique Godoy Ciguel (1957-1991) e Rosemarie Rohn Davies (atualmente docente na UNESP/Rio Claro), ambos então orientandos do prof. Oscar Rösler. Valendo-se do Refúgio Rambo e da Base Frei, a professora Rosemarie Rohn coletou muitos fósseis nas localidades e, em visita à Estação Bellingshausen (então da União Soviética), recebeu uma doação de um lote de folhas fósseis coletadas pelo ornitólogo alemão Tito Nadler na localidade Morro do Fósseis (Fossil Hill), entre as quais estava aquela que seria o holótipo da primeira espécie antártica nomeada por brasileiros: Fildesia pulchra Rohn, Rösler & Czajkowski, 1987 (Fig. 2). 














Figura 2 - Folhas fósseis da Ilha Rei George. Em cores: Pínula fértil do gênero Dicksonia da Formação Vieville Glacier (Eoceno Médio), na base do Monte Wawel no Pontal Hannequin, Baía do Almirantado. A sete vermelha indica um soro (agregado de esporângios). Escala: 5 mm. Em P&B: Holótipo da angiosperma de afinidade incerta Fildesia pulchra, proveniente de níveis elevados da localidade Morro dos Fósseis na Península Fildes (possivemelnte Fm. Fossil Hill, Eoceno). Escala: 1 cm. Retirado de Cunha et al. (2008) e Ronh et al. (1987)

Os macrofósseis vegetais e palinomorfos coletados nessas primeiras expedições fomentaram estudos diversos que foram apresentados em primeira mão no Simpósio Nacional do Programa Antártico (1984), realizado na USP, em São Paulo, e também justificaram a realização do I Simpósio sobre Paleobotânica e Palinologia da Antártica, coordenado por Oscar Rösler e apoiado pelo PROANTAR como parte das atividades da V Reunião de Paleobotânicos e Palinólogos, ocorrida em 1985, também na USP. Destacam-se para a paleontologia antártica brasileira deste período os seguintes trabalhos:

Fensterseifer HC, Figueiredo MH, Sigolo JB, Hansen MAF, Troian FL, Lyra CS. 1984. Mapeamento geológico da porção sul da Península Fildes, Ilha Rei Jorge - Península Antártica. In: Boletim Especial do Simpósio do Programa Antártico. São Paulo: CIRM/IOUSP, v. 1, p. 69-70.

Hansen, MAF, Troian FL. Linn A, Fensterseifer, HC. 1984. Nota preliminar sobre plantas fósseis da Ilha Rei Jorge. In: Boletim Especial do Simpósio do Programa Antártico. São Paulo: CIRM/IOUSP, v. 1, p. 87-88.


Lyra CS. 1985. Pólens e esporos terciários, com frequência inferior a 1%, de amostras das proximidades do Suffield Point, Península Fildes, Ilha Rei George, Antártica. Paleobotânica Latinoamericana (Circ. Inf. ALPP), 7 (1): 4.

Lyra CS, Rösler O. 1985. Palinomorfos terciarios em siltito intercalado em brecha vuncânica no sopé do "Suffield Point", Península Fildes, Ilha Rei George, Antártica. Paleobotânica Latinoamericana (Circ. Inf. ALPP), 7 (1): 5.

Rösler O. 1985. Paleobotânica Antártica. Paleobotânica Latinoamericana (Circ. Inf. ALPP), 7 (1): 7.

Rösler O, Fensterseifer H, Czajkowski S. 1985. Ocorrência de plantas fósseis de idade terciária em rochas vulncanoclásticas na escarpa ocidental da Península Fildes, Ilha Rei George, Antártica. Paleobotânica Latinoamericana (Circ. Inf. ALPP), 7 (1): 8-9.

Rösler O, Mussa D. 1985. Nota preliminar sobre novas ocorrências de troncos fósseis na Península Fildes, Arquipélago Shetland do Sul, Antártica. Paleobotânica Latinoamericana (Circ. Inf. ALPP), 7 (1): 9-10.

Rösler O, Czajkowsky S, Lyra CS. 1985. Introdução ao estudo da "Flora de Podocarpus-Nothofagus" do Terciário da Península Fildes, Ilha Rei George, com base no material coletado durante a Operação Antártica II do PROANTAR. Anais da Academia Brasileira de Ciências, 57 (1): 119.

Czajkowski S, Rösler O. 1986. Plantas fósseis da Península Fildes; Ilha Rei Jorge (Shetlands do Sul): Morfografia das impressões foliares. Anais da Academia Brasileira de Ciências, 58 (Supl.): 99-110.

Lyra CS. 1986. Palinologia de sedimentos terciários da Península Fildes, Ilha Rei George (Ilhas Shetland do Sul, Antártica), e algumas considerações paleoambientais. Anais da Academia Brasileira de Ciências, 58 (Supl.): 137-147.

Rohn R, Rösler O, Czajkowski S. 1987. Fildesia pulchra gen. et sp. nov: folha fóssil do terciário inferior da Península Fildes, Ilha Rei George, Antártica. Boletim IG-USP, Série Científica, 18: 11-16.

Dutra TL. 1987. A paleontologia da Ilha Rei George (Arquipélago das Shetland do Sul, Península Antártica): Revisão dos estudos realizados e as coletas brasileiras. Acta Geológica Leopoldensia, 11 (24): 23-25.

Dutra TL. 1989. A tafoflora terciária dos arredores do Pontal Block, Baía do Almirantado, Ilha Rei George (Arquipélago das Shetland do Sul, Península Antártica). Acta Geologica Leopoldensia, 12 (28): 45-90.

Dutra TL. 1989. Informações preliminares sobre a tafoflora do Monte Zamek (Bahía do Almirantado, IIha Rei George, IIhas Shetland do Sul), Antártica. Série Científica INACH, 39: 31-42. 

Rohn R, Rösler O, Ciguel JHG. 1990. Megafósseis vegetais do Terciário Inferior coletados durante a "Operação Antártica V" (Península Fildes, Ilha Rei George). Localidade I: Fossil Hill. Paleobotânica Latinoamericana (Circ. Inf. ALPP), 9 (1): 49.

Rohn R, Ciguel JHG, Rösler O. 1990. Megafósseis vegetais do Terciário Inferior coletados durante a "Operação Antártica V" (Península Fildes, Ilha Rei George). Localidade II: proximidades do Pontal Suffield. Paleobotânica Latinoamericana (Circ. Inf. ALPP), 9 (1): 50.

Rohn R, Rösler O, Ciguel JHG. 1990. Megafósseis vegetais do Terciário Inferior coletados durante a "Operação Antártica V" (Península Fildes, Ilha Rei George). Localidades III e IV: Pontal Winkel e Pontal Price. Paleobotânica Latinoamericana (Circ. Inf. ALPP), 9 (1): 51.


Novos projetos em geologia, ainda que não propriamente focados no estudo dos fósseis, também contribuíram, direta ou indiretamente, para o desenvolvimento da pesquisa paleontológica brasileira na Antártica, com novos eventos no tema sendo promovidos. Em 1994, o 38º Congresso Brasileiro de Geologia, em Balneário Camboriú, sediou o 1º Simpósio Brasileiro de Geologia Antártica, que contou com uma palestra de Oscar Rösler e Tânia Dutra intitulada "Significado paleogeográfico e paleoecológico dos fósseis da Antártica" e a publicação de 25 trabalhos sintetizando as pesquisas geológicas ocorridas na área na década de 1980 e início dos anos 90. Este evento traz várias contribuições da equipe pioneira de geólogos da UNISINOS, bem como da USP, e as primeiras contribuições de um novo projeto dedicado às pesquisas geológicas na Antártica. Tal projeto, focado principalmente na geologia estrutural e tectônica, foi coordenado pelo prof. dr. Rudolph Allard Johannes Trouw, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com participação também do seu então orientando, o geólogo André Ribeiro, e dominou as sessões de um novo evento, denominado "Simpósio sobre a Antártida", organizado no 41º Congresso Brasileiro de Geologia (em 2002, em João Pessoa-PB), além de ter produzido uma densa contribuição publicada em diversos periódicos internacionais, especialmente na primeira década dos anos 2000. O prof. Trouw, que esteve na Antártica por 12 vezes, já participara da II OPERANTAR e seu projeto de início dedicou-se ao estudo de rochas metamórficas (xistos azuis) da Ilha Elefante. Já nas operações VII (1988/1989) e XVII (1998/1999), seu projeto abarcou a Península Antártica e, ali, as incursões em áreas fossilíferas, especialmente no Triássico da Baía Esperança e Jurássico da Baía Botânica (nesta contando também com o geólogo Renato Ramos), renderam importantes coletas de fósseis em uma área até então muito pouco visitada pelo Programa Antártico Brasileiro.

Nos anos 90, a paleontologia brasileira na Antártica seguia sendo desenvolvida pela paleobotânica Tânia Dutra e sua equipe da UNISINOS. Na OPERANTAR XII, Tânia e o biólogo e paleobotânico André Jasper (UNIVATES) retomam as prospecções na Península Fildes nas áreas anteriormente visitadas pelas equipes do professor Henrique Fensterseifer e da USP, também em áreas próximas às estações
 Artigas (Uruguai) e Grande Muralha (China), que haviam sido inauguradas em 1984 e 1985, respectivamente, e também exploraram a adjacente Ilha Nelson. Ao final da década, pesquisadores do Instituto de Geociências da USP implementam um novo projeto, focado em tafonomia e geoquímica de bivalves do Oligoceno e Mioceno da Ilha Rei George. Este projeto, intitulado "Mudanças paleoclimáticas na Antártica durante o Cenozoico: o registro geológico terrestre", foi coordenado pelo Prof. Dr. Paulo Roberto dos Santos (USP), deu continuidade aos trabalhos do geólogo glacial e paleontólogo Antônio Carlos Rocha-Campos, e contou com participação também deste, do seu ex-orientando Prof. Dr. Luiz Eduardo Anelli (USP) e da então orientanda de Anelli, Fernanda Quaglio (atualmente UNIFESP), entre outros. Este projeto esteve em campo com as operações antárticas XXI (2002/2003), XXII (2003/2004) e XXIII (2004/2005).

Desde então, e principalmente a partir de 2005, com o lançamento do primeiro edital de ampla concorrência ao Programa Antártico Brasileiro pelo CNPq, a pesquisa paleontológica não apenas se manteve no programa como se ampliou em número de pessoas atuantes e instituições envolvidas, em temáticas de pesquisa e em regiões prospectadas. Atualmente, três projetos coordenados por paleontólogos do Museu Nacional e da UNISINOS fazem parte do rol de pesquisas apoiado pelo Programa Antártico Brasileiro, agregando dezenas de pesquisadores de diversas instituições brasileiras e colaboradores estrangeiros em pesquisas em paleobotânica, palinologia e micropaleontologia, paleontologia de vertebrados e de invertebrados. A região de pesquisa expandiu-se do Arquipélago Shetland do Sul para a Península Antártica e o Arquipélago James Ross, no Mar de Weddell. Além disso, brasileiros têm se dedicado ao tema vinculados a instituições do Chile, da Argentina e de diversos outros países.

Edição anterior e perspectivas    

Em honra e continuidade às bases assentadas na década de 80, o Simpósio Brasileiro de Paleontologia Antártica busca preservar essa memória, ampliar a divulgação da pesquisa antártica brasileira mais recente e ressaltar a importância desta temática para a visibilidade e distinção do Programa Antártico Brasileiro frente à comunidade científica internacional.

Sua primeira edição ocorreu no dia 24 de outubro de 2019, durante o
XXVI Congresso Brasileiro de Paleontologia em Uberlândia-MG. Na ocasião, teve como coordenadora (convenera Dra. Tânia Dutra (UNISINOS), pioneira e, ainda hoje, a maior referência brasileira na pesquisa paleobotânica na Antártica. O primeiro SIMPOANTAR contou com uma palestra magna (Palinología y micropaleontología de la Cuenca James Ross, Antártida - Dra. Cecilia R. Amenábar, da Universidade de Buenos Aires e Instituto Antártico Argentino), duas mini-palestras (É a Antártica a pedra angular na compreensão de um mundo em constantes mudanças? O que hoje sabemos - Dra. Tânia Dutra, UNISINOS e Paleoecologia dos cistos de dinoflagelados do Eo-Meso Santoniano (Cretáceo) de James Ross, Antártica - Dr. Marcelo Carvalho, Museu Nacional), apresentação de nove trabalhos (cinco orais e quatro pôsteres) publicados no livro de resumos daquele evento (páginas 50 a 60) e uma exposição fotográfica, reunindo pesquisadores do Brasil, Chile e Argentina dedicados à paleontologia e geologia do continente gelado.

Em sua segunda edição, o SIMPOANTAR novamente ocorrerá presencialmente junto à comunidade paleontológica brasileira, como parte do XXVII Congresso Brasileiro de Paleontologia, a ocorrer no
campus Cuiabá da Universidade Federal do Mato Grosso entre 02 e 06 de maio de 2022, ano de comemoração dos 40 anos do Programa Antártico Brasileiro!

Douglas Riff
fildesia.jpg